domingo, 31 de janeiro de 2016

Sobre ser trouxa.

Ser trouxa não é ser enganado por alguém. Não é alguém te dizer algo, você acreditar e descobrir depois que era mentira. Não, isso não é ser trouxa. Ser trouxa é se enganar.
Ser trouxa não é ter acreditado nos motivos de alguém, por piores que tenham sido, mas sim criar motivos para se convencer a acreditar nos tais motivos do tal alguém; é criar motivos para si mesmo para sustentar os motivos do outro.
Ser trouxa é saber que é mentira, saber que está sendo enganado, ter mil motivos para não acreditar e inventar um para acreditar e jogar todas suas fichas nele.
Ser trouxa é criar esperança numa causa que você mesmo sabe estar perdida; é igual apostar na loteria todos os dias: se ganhar, é porque deu sorte.
E não me venham com um "ah, vai que dá certo" ou com um "enquanto houver esperança, a causa não está perdida". Ok, talvez não seja mentira mesmo, talvez esse 0,1% de esperança funcione. Mas , querido, você foi trouxa. Pode ter sido a melhor coisa que fez na vida, mas foi.
Só não ache que é toda essa maldade do mundo que te faz trouxa; você pode até ser inocente, mas trouxa não.
Ser trouxa é essa ruindade de você com você mesmo. De te fazer sofrer aos poucos antes do grande sofrimento; de não ter coragem de aceitar que estão mentindo pra você; de ter medo de sofrer com a verdade. Ser trouxa é isso.
Então entenda que única pessoa que te faz um trouxa é você.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Relato de Ano Novo

2015 foi um ano difícil. Acabou e eu não consigo resolver se foi bom ou ruim. Eu tive momentos sensacionais, que com certeza entrarão para os melhores da vida, mas também tive aqueles que me fizeram passar dias e mais dias trancada em casa, aos prantos, de puro desespero e tristeza.

2015 foi aquele ano que fez o que eu mais queria e me mandou para o mundo, mas me deu, pela primeira vez, mil motivos para querer voltar. Foi aquele ano de caos, de se perder, mas foi o ano que eu mergulhei no caos e vivi direito tudo isso.

Foi um ano difícil dese o dia 1º de janeiro, em Águas de Lindóia e foi também no dia 31 de dezembro, na Cracóvia. Foi um ano de decisões insanas, das mais certas até as mais erradas; das que me fizeram querer gritar de alegria até as que me doem de arrependimento até agora; foi um ano que minhas virtudes mostraram ao mundo o quanto sensacional eu sou e um ano em que os meus defeitos foram esfregados na minha cara da forma mais cruel.

E acabou sendo o ano que me deu mais motivos para desistir e que também fortaleceu cada um dos meus princípios para me fazer continuar. No fim, esse ano fui eu. Da forma mais pura e caótica que um ser humano pode ser, unidos em 365 dias escolhidos arbitrariamente pela humanidade segundo o movimento dos planetas.

E mesmo eu não resolvendo se 2015 foi bom ou ruim, eu sei que foi memorável, um ano não só de crescimentos, mas de consciência desse crescimento e uma prova para mim mesma de quem eu sou.

Sobre 2016, pode vir! Fácil assim, do jeito que quiser, bom ou ruim, fácil ou difícil. Só vem.
Porque eu quero sim um ano bom, um ano feliz, mas se for ruim, eu sei que eu vou passar.
Porque eu estou exausta e tremo só de pensar do que tem por vir, mas também mal posso esperar por tudo isso e não paro de fazer planos.

Então, pode vir, porque eu sei que aguento. E olha que esse não é um texto de encorajamento, de alguém que está pronto para novos desafios, mas sim um texto de alguém que apanhou tanto, que sabe que, não importa o que aconteça, continuará em pé.

2016 pode vir, porque no fim, não vai importar se foi bom ou ruim, desde que seja eu. Da forma mais pura e caótica que um ser humano pode ser.