quarta-feira, 9 de junho de 2010

Tarde de Inverno.



"Duvida que do céu a abóbada azulada
Tenha esferas de luz de um mágico esplendor,
Duvida que seja o sol o facho da alvorada,
Duvida da verdade em tua alma gravada (...) "


Do chocolate quente sai fumacinha e dá vontade de ficar segurando a caneca para esquentar a mão.

Ele passou o braço sobre o ombro dela e encostou a testa em sua cabeça. Ela parecia tão pequenina! E ela sorriu e levou a caneca até a boca e ele sentiu a fumacinha esquentando seu rosto.Ventou. Ela se arrepiou e ele a apertou nos seus braços e por causa disso ela se arrepiou mais ainda. Ele ficou preocupado, mas ela fez cara de 'dona da situação' e disse para ele não se preocupar.
O chocolate acabou. Ela colocou a caneca na mesinha e se aconchegou nos braços dele: "Não encontro muitos meninos quentinhos que cheiram Armani". Ele fingiu uma cara de surpresa: "Isso é muito imprevisível vindo de uma menina que cheira Calvin Klein". Ela segurou a mão dele, mas os dedos dele estavam gelados: "Que decepção! Agora não posso esquentar minha mão". "Encontra um menino de mão quentes e dá um perfume da Armani para ele. Não é o suficiente?", perguntou ele fingindo um ciúmes bobo. "Não", disse ela firme e extremamente séria. "Por que?", perguntou ele com uma certa insegurança.Ela olhou nos olhos dele: "Porque eu amo você!"
E ele apertou mais ela entre os braços. "É, menininha bonita, parece que estamos juntos nessa!"

Ela sorri da lembrança, termina o chocolate, passa um perfume da Calvin Clein, como fez a tempos atrás, e vai acordar o menino que cheira Armani para mais um dia de trabalho.

" (...) Mas não duvide nunca, oh! Nunca,
D'este amor. "
(Willian Shakespeare)


sexta-feira, 4 de junho de 2010

Incômodo.


O som incomoda absurdamente. As risadas sarcásticas inspiram a raiva. Não há o que fazer e estar nessa situação de impotência é insuportável.
Não se vê interesse, nem respeito. Só o desejo insano e imbecil de humilhar a fala, a ação, a opinião.
Como animais famintos, atacam as pessoas se alimentando dos erros e defeitos. Se manifestam como um punhado de larvas, sufocando aqueles que querem apenas... viver.
Resistir dói! Uma quantidade insana de pequenas picadas, pequenas dores, fazem com que no fim, você sangrando, não tenha mais força para lutar.
Mas não cederemos. Porque internamente há força. Uma força que aspira liberdade. Força que, em breve, prevalecerá.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Maré.


Ele me puxava. Mudava meu curso, minha direção. Eu aceitava, sempre gostei de jogar a favor do vento. E eu fui no caminho dele, vi o mundo do jeito que ele me mostrou, senti as coisas como nunca havia sentido e quando pensei estar perdida na visão dele... me encontrei. Porque às vezes quando vemos, ouvimos, sentimos... falta algo. Algo que não se sabe o que é. Mas não faltava mais! Eu vi o que faltava e ele é que tinha me mostrado. Quis ver mais. Quis sentir mais. Queria fugir, parar o tempo, porque cada segundo daquilo era inexplicavelmente perfeito. Mas aí... o sol nasceu, a maré baixou e ele se foi. Simplesmente foi embora e eu fiquei no meu curso normal. Culpei os outros, fingi não entender o que estava acontecendo, mas na verdade eu sabia que era ele que completava as coisas. Era ele que me fazia querer respirar cada vez mais.
Mas toda noite a lua volta, não é? Ela volta me dando esperanças! O dia pode ser longo, mas quando a noite chegar ele vai estar aqui e vai me puxar, como a lua puxa o mar, e eu vou sentir o vento no meu rosto, a água na minha pele... e vou senti-lo.
Por ora, tenho a lua e tenho que aproveitar porque ela ainda é suficiente!
Afinal, chega uma hora que só a esperança não basta. Enquanto basta, fico com lua. Ela me traz as falsas esperanças, porque eu sei. É, eu sei. Sei que ele não vai voltar.

terça-feira, 4 de maio de 2010

So far away.

"There are place I remember all my life"














Viajando. Volto em alguns dias ;)

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Bons e velhos tempos.



Não andava na chuva não! Porque a mamãe me via molhada e ficava brava, então eu pedia para a minha avó fazer bolinhos de banana para mim. Chegava à noite em casa e queria fazer lição de casa e ficava orgulhosa quando a prô falava que eu estava adiantada para a minha turma. Ahh, eu acorda cedo para ver desenhos animados, fazia uma bolsa qualquer de mala e ia acampar no quintal. Sem contar quando fazia amigo secreto com meus bichos de pelúcia, mas eram tantos que eu esquecia o nome de cada um quando abria os papeis. Colocava roupa de ballet e passava o dia dançando o CD da Eliana. Chorei quando tirei uma nota baixa, chorei quando tive que doar alguns brinquedos, fiquei emburrada quando minha mãe me vestiu de roupa que eu não gostava. Chorei para pentear o cabelo, coloquei dente debaixo do travesseiro, quis colocar band-aid colorido no meu pai, pensei que ele fosse voltar. Quebrei maquiagens da minha mãe, fiz escova no cabelo para ir à festa de oito anos, colecionei figurinhas da Disney, tive vergonha de pedir para minha mãe comprar um sutiã. Queria ser uma menina grande, queria comprar minhas próprias roupas, queria saber tocar o teclado de casa, queria ter “letras” nas contas de matemática, queria conseguir levantar a cabeça sozinha nos momentos difíceis, queria ter um namorado, queria entender o que os jornais falavam, queria ter simulados, queria ler livros grandes.
Mas aí eu cresci e tudo o que eu queria virou rotina e a minha rotina virou tudo o que eu queria.

Nostalgia? Constante.