quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Biologia.


O som se condensa e tudo vira uma coisa só. A respiração não tem mais som, a única prova de sua existência é o movimento abdominal que faz o livro subir e descer, subir e descer, subir...
O devaneio paira, as risadas lá fora são ouvidas com um tom de ironia. As piscadas são cada vez mais longas e o foco visual há tempos se perdeu.
Hifas, esporos, mitose, germinação...giram sem rumo e nós somos como a Alice no País das Maravilhas tentando encontrar nosso caminho. O devaneio ronda. As pálpebras pesadas lutam para manter o foco perdido. O pensamento luta para manter o devaneio sob controle... mas o devaneio está ali, atacando sua presa aos poucos, como um vírus que mata o organismo devagar.
As pobres presas estão sendo levadas, elas tentam fugir, mas não conseguem, porque ele está dentro delas. E o devaneio vence! Através do sono, do sonho e até da escrita.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Minutos finais.


Passos apressados ecoavam no silêncio da noite, mas não quebravam o silêncio ensurdecedor da mente. As poças de água gelada e os paralelepípedos atuavam como obstáculos de um menino que corria. Corria das pessoas. Corria dos problemas. Corria de si mesmo.
Até cair na esquina. Até cair em si. O dia daquela semana fora claro, limpo e com céu azul turquesa. A nota da prova fora vermelho sangue. O professor nunca considerava suas respostas e trabalho extra para não ficar de recuperação deixou de ser um possibilidade com a frase: " gente rica que nem você só tira nota baixa por folga".
Folga. As dificuldades, a dislexia.... não importa. Não mais. Não havia mais vermelho. Só a noite negra, a lua amarela e os prédios cinzas.
Prédios traidores! No começo, escondiam da sociedade julgadora ele e seus amigos. Amigos em pó, em erva, em comprimido. Amigos que o deixavam feliz, o faziam acreditar nas ilusões e, principalmente, o faziam esquecer. Mas eram amigos caros e estar com eles exigia cuidado. Agora, os prédios que tanto o apoiaram, o olhavam ameaçadoramente e, em cada janela, traziam olhos de julgamento.
Olhos como o do seu pai. Porque um dia ele cansou de depender dos amigos e do vermelho sangue no boletim e pediu ao pai ajuda, afinal, estava com dificuldades. Os olhos do pai faiscaram e e endureceram: "Dificuldades? Dificuldades tinha eu que precisava trabalhar para ter comida em casa! Você tem tudo o que quer! Deixa de ser vagabundo e resolva seus próprios problemas".
E quem estava lá para ajudar? Amigos. Amigos em pó, em erva, em comprimido. E prédios. Prédios que os escondiam. Mas agora a lua o sentenciava e nos prédios estava seu pai, estava seu professor. Como demônios. Demônios que se esgueiravam pelos cantos, pelas esquinas, pelos bueiros. Demônios em pó, em erva, em comprimido. Demônios do corpo e também da alma. Demônios da mente. Da mente de um menino que está morrendo de overdose.

quarta-feira, 23 de março de 2011

...

Vou resumir: não consigo mais escrever. É isso.
O que sempre me serviu de desabafo, que sempre me sustentou, que sempre fez meus dias melhores.... acabou.
E eu não sei lidar com isso.
Não sei nem o motivo disso.
Só sei que as linhas em branco continuam brancas e que aqueles montes de pensamentos presos na minha mente continuam lá, sem saberem para onde ir.

Enfim, ficou difícil escrever e eu nem sei como escrever isso.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Delírios.


Pessoas me ignoram completamente, mas não me incomodo.
O silêncio é muito reconfortante. Talvez possa estar tentando me iludir.
Me sinto completamente idiota por não saber onde ir!

Esperar. Atualmente esse verbo é o mais usado no meu vocabulário.
Ou, pelo menos, é o mais presente na minha mente.
Chego ao ponto de falar com as teclas para enganar a solidão. Situação crítica.

Quem adora o movimento extra sísmico das ostras?

E eu aqui enganando a todos fingindo que tenho algo a fazer.
Cá estou novamente nos meus momentos de exclusão.
As mudanças, apesar de tudo, ainda são positivas. Para ver o nível que estava.

Amigos que devem estar em lugares bem mais badalados do que eu.
Às vezes quero que todos fiquem olhando para mim. Não estou num momento desses.

Até quando descarto possibilidade de espera tenho que esperar. Que vida é essa?
Odeio só poder usar 80 caracteres. E se eu tiver uma 'nota' grande? Coisa boba!

Há coisa pior que querer ser a última a sair para poder esconder uma...

Quem adora perder ônibus por causa de segundos?

É impressionante o quanto temos que esperar!

As coisas acontecem, as pessoas vão, situações mudam... E a espera continua.

Calor insuportável!



Consequência de ter um celular com o aplicativo 'nota'!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Volta.

Esperança há tempos se perdeu,
Mas vem desesperada à madrugada
Descobrir a lágrima antes enxugada
E lembra do sonho que se vendeu.

A esperança sorrateira então volta,
Mas pensas continuar em plena paz
Porque numas tristezas está envolta
Enquanto nas lágrimas se desfaz.

Contudo, ela voltou completamente
E, numa imensa fúria, nos destrói;
Sabia que não podia ser diferente.

De novo o sentimento se constrói,
Mas lá vem a esperança novamente;
Maldito sentimento que corrói.