quarta-feira, 23 de março de 2011

...

Vou resumir: não consigo mais escrever. É isso.
O que sempre me serviu de desabafo, que sempre me sustentou, que sempre fez meus dias melhores.... acabou.
E eu não sei lidar com isso.
Não sei nem o motivo disso.
Só sei que as linhas em branco continuam brancas e que aqueles montes de pensamentos presos na minha mente continuam lá, sem saberem para onde ir.

Enfim, ficou difícil escrever e eu nem sei como escrever isso.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Delírios.


Pessoas me ignoram completamente, mas não me incomodo.
O silêncio é muito reconfortante. Talvez possa estar tentando me iludir.
Me sinto completamente idiota por não saber onde ir!

Esperar. Atualmente esse verbo é o mais usado no meu vocabulário.
Ou, pelo menos, é o mais presente na minha mente.
Chego ao ponto de falar com as teclas para enganar a solidão. Situação crítica.

Quem adora o movimento extra sísmico das ostras?

E eu aqui enganando a todos fingindo que tenho algo a fazer.
Cá estou novamente nos meus momentos de exclusão.
As mudanças, apesar de tudo, ainda são positivas. Para ver o nível que estava.

Amigos que devem estar em lugares bem mais badalados do que eu.
Às vezes quero que todos fiquem olhando para mim. Não estou num momento desses.

Até quando descarto possibilidade de espera tenho que esperar. Que vida é essa?
Odeio só poder usar 80 caracteres. E se eu tiver uma 'nota' grande? Coisa boba!

Há coisa pior que querer ser a última a sair para poder esconder uma...

Quem adora perder ônibus por causa de segundos?

É impressionante o quanto temos que esperar!

As coisas acontecem, as pessoas vão, situações mudam... E a espera continua.

Calor insuportável!



Consequência de ter um celular com o aplicativo 'nota'!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Volta.

Esperança há tempos se perdeu,
Mas vem desesperada à madrugada
Descobrir a lágrima antes enxugada
E lembra do sonho que se vendeu.

A esperança sorrateira então volta,
Mas pensas continuar em plena paz
Porque numas tristezas está envolta
Enquanto nas lágrimas se desfaz.

Contudo, ela voltou completamente
E, numa imensa fúria, nos destrói;
Sabia que não podia ser diferente.

De novo o sentimento se constrói,
Mas lá vem a esperança novamente;
Maldito sentimento que corrói.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Fora da caverna.

Maldito conhecimento que me faz enxergar o mundo, que me faz ver a realidade, que me corroí e me liberta dessa alienação. E ao mesmo tempo me prende na transgressão. Afinal, quem uma vez sentiu o calor da verdade na pele, não volta para a sombra da ignorância.
Ah, como eu queria que as sombras da caverna me tivessem sido suficientes. Suficientes para me entreterem, para me mostrarem o quão belo e simples é o mundo. Mas não. Eu tive que querer mais, tive que não me contentar.
E aquela pílula vermelha me pareceu tão bela! Quando a tomei... o efeito foi tão rápido. Mal sabia eu que o sofrimento seria cada dia pior. Porque a verdade dói. Porque a verdade mostra o quão ignorante você continua sendo e o quão deploráveis os seus objetivos eram.
E mais: faz com que você questione. 
Um punhado de perguntas que jamais terão respostas se apoderam dos seus sentidos, da sua mente e da sua voz. E então... você desiste de resistir, desiste de ser forte, desiste de ser uma pessoa feliz. E se torna uma pessoa crítica. Mal sabendo que essa desistência,  na verdade, foi o auge da sua força: a decisão de que algo é maior do que si mesmo.
Mal sabendo que jamais teria a dádiva da alienação de novo.
Porque agora... você pensa. Agora você sabe. E, mais uma vez, a realidade não é simpática, agradável ou bonita.

Mas é real, não é? E isso basta.
Por mais que as vezes me dê raiva essa minha escolha, não me arrependo.
Por mais que o peso da responsabilidade quase nos esmague, temos que continuar lutando.
Porque uma pequena mudança, por menor que seja, nessa realidade pode mudar tudo.
E só pessoas como nós podem fazer essas mudanças.
E pela primeira vez fica claro que o mundo realmente precisa de nós.

E como precisa!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Sapatos de boneca.


Já estava na hora de tirar os grampos do cabelo. Vesti minha saia de corações pretos, coloquei meu colar de pérolas, uma fita na cabeça e um sorriso triste nos lábios. Não que desejasse demonstrar um sorriso triste, mas tinha que esconder (ou pelo menos tentar esconder) alguma coisa e, bem, não sei disfarçar a tristeza dos olhos.
Andei com passos lentos pelas calçadas, o som que produziam abafava o turbilhão de pensamentos que ensurdecia minha mente naquele silêncio insuportável da noite. Os olhos? Sempre marejados.
Quartas feiras à noite me faziam um pequeno mal, mas agora não fariam mais: chegara a hora de decidir por uma eterna esperança ou uma completa indiferença.
Parei no banco certo e o ponteiro maior do relógio chegou ao quatro.
Dez e vinte. Quarta feira. Noite escura e quente. Estaria tudo certo, se não fosse pela solidão. Não que eu não soubesse que ele não estaria lá, mas também não sabia que não estaria. No fundo só havia ido até lá para acabar de vez com aquela esperança que me fazia feliz em platonismo.
As lágrimas finalmente escorreram dos meu olhos, borraram meu meu rímel e o lápis preto. O suor frio que me percorreu durante o um minuto de espera cessou por completo junto com o meu sorriso: agora os lábios com batom vermelho eram apenas sérios.
A indiferença estava na linha da vitória, ela venceria, mas não esperava pela minha virada repentina. Uma virada que fez mudar o curso e o futuro e me faz hoje possuir uma opinião Naturalista do mundo escondida ao meio de ilusões Românticas. Porque nessa virada súbita me vi refletida no vidro de uma loja de sapatos.
Ah, como eu estava linda. A pele como porcelana contrastava com a noite, os lábios vermelhos combinavam com os olhos borrados, as lágrima refletiam as pérolas no pescoço e o cabelo cacheado escorria pelos ombros num movimento constate. Via tudo refletido naqueles sapatos à venda: os diálogos, os sorrisos. Via as palavras escritas nas cartas naquelas tabelas de preço, via a ousadia nas botas de cano alto, a sutileza nas sapatilhas caras, a voz no Scarpin marrom. Tudo aquilo visava à indiferença e sua vitória. Vi o mundo girar em torno de sentimentos e sapatos; eu girava com eles enquanto cedia ao fim do meu mal de quartas feiras.. até que meus olhos focalizaram em algo daquele belo reflexo e eu precisei disso para chegar ao fim daquela noite.
Porque a indiferença estava comemorando a sua vitória cedo demais, afinal não sabia que eu era imprevisível e muito menos que a esperança me conhecia o suficiente para chegar ao ponto de se estabelecer num detalhe de um reflexo de uma loja de sapatos.

É, a indiferença teria vencido se não fosse pelos meus pés calçando aquele par de sapatos de boneca.