sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Máscaras.



Não chorei.
Não gritei.
Não hesitei.
Escutei o que não quis escutar.
Senti minha esperança desmoronar.
Vi o sentimento da infelicidade tomar assento em mim.
Não demonstrei.
Não me importei.
Cansei.
Mas não cedi.
Fui completa.
Fui perfeita.
Fui forte.
Impus meu respeito.
E tive que aprender a conviver com a eterna solidão.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Lamento.


Algum lugar, 27 de julho de 2010

A quem mandar?

Fico feliz em saber a data de hoje, porque nem isso me importa mais.
O que me importa?
Os meus pensamentos cotidianos não precisam de cartas para entender-me. As minhas letras entendem-me por si só. Às minhas felicidades já disse adeus.
O que me resta?
Mais uma carta na pilha das não enviadas; mais um lamento cansado e vago, afinal, agora não precisa-se mais de regalias: uma carta sem destinatário, cujo remetente mal se conhece.
O que será de mim? Cuja vida se resume em frases não lidas?
O que deixo?
Às lembranças uma angustia?
Às saudades uma lágrima?
Ao amor um desprezo?
E à esperança? O que deixar a ela se ela nunca me deixou? Mais um mero lamento?
As palavras perdem-se no ar e nem eu as encontro mais. A monotonia é tão grande que até meu tédio torna-se uma distração.
Mas, chega de reclamações!
Há uma saída, sempre há! E aqui encontro-me no meu maior refúgio: a escrita.
Nela encontro meu destinatário, nessas letras vejo um futuro diferente e à ela entrego meu lamento, porque só ela me consola e, em sua solidão, é suficiente.

Profundamente agradecida,

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Repreensão.


Falta ar. Falta. Ele falta, o pulmão pulsa em busca de ar. Ar que falta. Falta... ar.
Não há fôlego para mudar. Não há. Não há ar. Não há.
O pensamento não flui. Não flui, não flui ar. Não há inspiração sem ar. Ar. Sem ar.
Respirar, o pulmão pulsa, mas não há ar, não há.
Não se grita, não se mexe, não se fala, só se pensa.
Se pensa na falta de ar. Falta ar. Ar.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Sociedade.


Eu vejo as pessoas passarem. Vejo como elas andam e agem, vejo como elas se preocupam. Vejo gente como passatempo. Vejo gente sorrir e se apressar, tem gente que olha para mim e gente que não vê ninguém.
Mas quanto mais eu vejo, menos eu enxergo. Eu mergulho em pensamentos. E generalizo. Vejo apenas uma gente. Vejo todos como uma sociedade e penso como todos sendo iguais. Culpo essa gente pelos meus problemas, culpo essa gente por coisas boas e ruins. Mas depois volto a enxergar e vejo pessoas.
E elas me olham como mais uma, como membro de uma sociedade.
Então eu vejo o que realmente sou: parte do que eu culpo! Meus problemas não existem por eu ser diferente, mas por eu saber o que é ser diferente e não ser capacitada para realmente o ser.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Ilusões.


As coisas deixam de ser reais quando analisamo-as ao fundo e, então, nos sentimos uma caça lutando pela sobrevivência enquanto cães raivosos trazem a dor da realidade em suas mordidas.
Anestesia-me as palavras Românticas, mas quando deixam de ser suficientes, a procura da perfeição torna-se insuportável.
Os finais felizes estão cada vez mais longe e as falsas ilusões causadoras da adoração de finais trágicos são cada vez mais nítidas... eles pareciam tão gloriosos! As gostas de veneno de Romeu entusiasmavam-me enquanto seu corpo desvanecia, o sangue de Julieta resplandecia ao escorrer do punhal e a taverna oscilava ao ouvir os lamentos de Solfieri. Agora, os tiros de Werther rondam meus pesadelos.
A realidade empurra o platonismo de volta ao breu quando sou apoderada pelos meus devaneios e, ao abrir os olhos, sinto-me perdida sem ter sonhos e falsas esperanças para me apoiar.
Falta ar! O desespero desenfreado que percorre o meu corpo mistura-se com a angustia pela felicidade, formando um sentimento tamanho que destroí minha firmeza e desgasta minhas forças. Num frenesi, caio ajoelhada, aceitando minha derrota. Perante a imagem do real, imploro, pela minha sanidade, um pouco das minhas ilusões.
E a realidade sorri. Maliciosamente sorri. Sua calma mata minha alma frenética enquanto seus olhos berram, num silêncio desconcertante, a mais dura das verdades. Desmorono no chão frio com ela se arrastando pelas minhas artérias, obrigando-me a senti-la.
Encara-me. Falta sentido em minha fala. Grito 'minhas ilusões'. Ela sussurra 'saia desta primeiro'.