domingo, 25 de junho de 2023

Sobre o caos.

Tantas coisas ao mesmo tempo.

As palavras se misturam com os pensamentos. As estações de metro se misturam com os itens da lista de compras e com as mensagens a serem respondidas e com aquele detalhe do piso do segundo andar que está faltando checar as medidas...

O caos da mente, que sempre me maravilhou, agora me assusta.

Eu, que tinha orgulho de ser filha do caos, agora me perco em infinitas listas, calendários e agendas, num desespero ilógico pela lógica ou por um mínimo de organização onde eu consiga me encontrar.

Entre tantas coisas ao mesmo tempo, entre vozes e pensamentos.... eu quero me encontrar, ouvir a minha voz.

Ou será que esse caos sou eu?

Seria toda essa bagunça de vozes e pensamentos a minha voz?

O caos, que sempre me maravilhou, agora

me assusta

me consome

me destrói.


terça-feira, 10 de maio de 2016

Dias calmos

Dias calmos vêm e vão, nos piores e melhores momentos da vida.
Existem dias que simplesmente não choramos; nossos objetivos estão claros; nossas euforias apaziguadas; as preocupações sobre controle; e tudo funciona numa paz gigantesca dentro de nós.
Nesses dias, estamos consciências de nós mesmos, estamos bem.
E mais: nesses dias, sabemos que não estaremos assim bem para sempre. Sabemos que ainda teremos momentos de tristeza, fraqueza e desespero, assim como dias incríveis que trarão lágrimas de felicidade aos olhos só de lembrar.
Mas nesses dias... ah, nesses dias!
Nesses dias, tudo está bem, do jeito que deve ser.
E não precisamos nunca nos preocupar, porque esses dias calmos vêm e vão.
Nos piores e melhores e piores momentos da vida.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Sobre fins.

Meu amor, eu vim pedir desculpa.
Desculpa por ter terminado assim.
Desculpa por não ter ido dar tchau ou um abraço, ou até mesmo um sorriso de "vai ficar tudo bem".
Desculpa por não ter te amado para sempre ou ficar sempre aí do seu lado.
Desculpa ter deixado chegar onde chegou.
Desculpa, meu amor, por fazer o que acho que e melhor, por não ser sempre sincera. Desculpa por ficar confusa e não saber o que fazer ou ficar desesperada.
Desculpa não poder te abraçar até passar, te amar até não aguentar ou te beijar sem parar.
Eu queria estar aí, meu amor. Mas agora é hora de ir embora sem olhar para trás. Sem último beijo ou conversa.
Desculpa, meu amor, por ser difícil, por ser sofrido. Desculpa por tudo

Meu amor, eu vim pedir desculpa.
Desculpa por ter terminado assim.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Relato de Ano Novo

2015 foi um ano difícil. Acabou e eu não consigo resolver se foi bom ou ruim. Eu tive momentos sensacionais, que com certeza entrarão para os melhores da vida, mas também tive aqueles que me fizeram passar dias e mais dias trancada em casa, aos prantos, de puro desespero e tristeza.

2015 foi aquele ano que fez o que eu mais queria e me mandou para o mundo, mas me deu, pela primeira vez, mil motivos para querer voltar. Foi aquele ano de caos, de se perder, mas foi o ano que eu mergulhei no caos e vivi direito tudo isso.

Foi um ano difícil dese o dia 1º de janeiro, em Águas de Lindóia e foi também no dia 31 de dezembro, na Cracóvia. Foi um ano de decisões insanas, das mais certas até as mais erradas; das que me fizeram querer gritar de alegria até as que me doem de arrependimento até agora; foi um ano que minhas virtudes mostraram ao mundo o quanto sensacional eu sou e um ano em que os meus defeitos foram esfregados na minha cara da forma mais cruel.

E acabou sendo o ano que me deu mais motivos para desistir e que também fortaleceu cada um dos meus princípios para me fazer continuar. No fim, esse ano fui eu. Da forma mais pura e caótica que um ser humano pode ser, unidos em 365 dias escolhidos arbitrariamente pela humanidade segundo o movimento dos planetas.

E mesmo eu não resolvendo se 2015 foi bom ou ruim, eu sei que foi memorável, um ano não só de crescimentos, mas de consciência desse crescimento e uma prova para mim mesma de quem eu sou.

Sobre 2016, pode vir! Fácil assim, do jeito que quiser, bom ou ruim, fácil ou difícil. Só vem.
Porque eu quero sim um ano bom, um ano feliz, mas se for ruim, eu sei que eu vou passar.
Porque eu estou exausta e tremo só de pensar do que tem por vir, mas também mal posso esperar por tudo isso e não paro de fazer planos.

Então, pode vir, porque eu sei que aguento. E olha que esse não é um texto de encorajamento, de alguém que está pronto para novos desafios, mas sim um texto de alguém que apanhou tanto, que sabe que, não importa o que aconteça, continuará em pé.

2016 pode vir, porque no fim, não vai importar se foi bom ou ruim, desde que seja eu. Da forma mais pura e caótica que um ser humano pode ser.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Atitude(s)

Se você quiser ficar, fica.
Mas se não quiser, vai embora. Não tem problema, pode ir, mas não me engana, nem diz que quer ficar.
Se não quer conversar, não conversa. Não precisa inventar uma história ou dizer que não teve tempo. É só não falar, sem mais.
Se não quiser me amar, não ama. Não tem problema, eu entendo. Só não mente, não diz que ama para me deixar feliz, porque não deixa.
Se for pra machucar, machuca. Faz parte. Mas faz logo, não arrasta a hora, não faz doer mais. Eu não preciso de mais dor.
Se não quer ouvir ou não se importa, avisa! Não finja, nem minta.
A gente não precisa de nada disso, nem nunca precisou.
Então, para de mentir ou enganar; para de só falar palavras vazias.
Tenha coragem e faça.
Faça o que realmente quer fazer, sem palavras ou histórias.
Se quer fazer, faça.

E se você quiser ficar, fica. Não precisa de desculpas para não ficar.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Um choro no silêncio.


É fácil chorar na hora do caos.

Naquela hora que a dor, a frustração e a agonia são tamanhas que você meio que explode.
Na verdade, nem é um momento tão momentâneo, pode durar dias e até meses.
A dor é real! Ela está ali, em você, te cutucando! O choro é quase um pedido de misericórdia e, mesmo que não seja o suficiente, representa tudo aquilo que você quer que suma, que vá embora e não volte nunca mais para dentro de você.

Mas existe aquele choro sem caos. Sem dor aguda. Sem desespero.
Aquele choro que te pega de surpresa em um momento de extrema conformação.
Porque você entende, aceita. Não dói mais. Não como doía.
É um choro de um desespero tão profundo que você já sabe lidar, que não precisa mais ser gritado ao mundo para surtir efeito.
É uma ferida cicatrizada, que ninguém vê, ninguém precisa ver. Mas está ali.
É uma dor que não lateja, nem aparece no rosto. Mas que é sentida

É um choro silencioso. Um choro no canto do quarto, quando ninguém está olhando.
Um choro que é um consolo para si mesmo de que você superou a dor, mesmo sabendo que ela existe.

Um choro de quem sabe o que precisa fazer
De quem sabe que vai seguir em frente, mesmo com medo.
De quem vai correr o risco, mesmo sabendo o tanto que pode perder.

Um choro de quem já viveu o caos e sabe que agora é hora de encará-lo.

sábado, 21 de novembro de 2015

O dia que conheci o Jow


Essa história, aconteceu a algum tempo. Um tempo que eu estava longe. E quando eu digo longe, é mais do que apenas de distância. Eu estava longe desse mundo. Eu estava num momento de realizações, um momento que eu cansei de ver o mundo na minha frente e ficar parada. Eu precisava conhecer. Eu precisava viver. Eu precisa ir embora. Sempre.
Fazia cinco dias que eu tinha chegado na Bahia e tinha decidido me aventurar pelo interior dela. A Bahia sempre foi um lugar que me interessou e quis conhecê-a direito. A cultura, as pessoas, a terra. E lá estava eu! No interior.
Eu chegue naquela cidade perto da hora do almoço, depois de cinco horas em um ônibus bem ruinzinho. Era um dia quente e meu estômago doía de fome. Foi aí que eu vi uma feira. Fiquei encantada, óbvio. É aquele tipo de feira fofa, sabe? Bonitinha, tradicional, cheia de coisas interessantes. Eu comprei algumas frutas para comer e achei uma diferente, que eu nunca tinha visto antes. Assumo que não entendi quando a mulher me falou o nome, mas falei que entendi porque queria comer logo. Eu estava com fome. Muita fome.
Aí, eu sentei na guia, em um pedaço depois da feira,  sem muita gente. Comi umas bananas, uma laranja e fiquei observando aquela fruta estranha, de casca meio grossa. A verdade é que eu não fazia ideia de como comia aquilo, mas fiquei lá especulando. Eu estava bem distraída quando ele apareceu. Um homem em pé do meu lado.
Eu tenho que dizer que quando um homem maltrapilho, desses sujos e com roupas rasgadas, chegava perto de mim, eu tentava sair de perto. Mas a vida de mochileira me fez ser mais receptiva, eu já estava no meu segundo mês de mochilão, estava com calor e ainda com fome. Eu olhei pra ele como uma amiga que entende, como uma igual, e ele falou:
-Precisa de ajuda aí, moça?
Sentou do meu lado, bem ali na guia, eu ele e a minha mochila. Pegou minha fruta com um "minha mão ta limpinha, tá?", descascou e me deu com um "só comer agora". E ficou lá, me olhando, enquanto eu comia a fruta e babava e me sujava igual criança de cinco anos tomando sorvete.
Eu agradeci, ele sorriu. Ele falou do tempo, eu disse que achava que estava calor. Ele disse que eu falava estranho. Eu disse que era e São Paulo, que tinha mudado para Minas Gerais, mas que continuava com sotaque paulista. Ele riu e disse que não entendia dessas coisas não. Disse meu nome. Perguntei o dele. Ele disse "sei não".
-Como não, jow?
Ele riu, disse que "disso aí que eu falei" nunca chamaram ele não. Eu ri. Ele disse que gostou, que podia ser assim, que o som era bonito. Jow.
Ele perguntou o que eu tava fazendo lá, eu disse que saí viajar, mostrei a minha mochila para ele, minha parceira, companheira de viagens. Ele gostou. Eu contei que eu estudava arquitetura, que estava de férias e que decidi sair por aí. Ele riu e disse que não entendia dessas coisas não.
Aí eu falei:
-Ah, arquiteto faz projeto, sabe? Assim, quando o pedreiro vai fazer uma casa ou prédio, ele precisa ver tipo um desenho antes, pra saber como fazer, então, arquiteto é a pessoa que faz o desenho da casa pra pessoa que vai morar lá depois.
Aí ele ficou feliz:
-Eu tenho casa!
E me puxou pelo braço, com mochila e tudo e me levou uns três quarteirões para baixo, era tipo um beco, com uma placa de zinco no fim, um colchão velho, umas coisas jogadas. Ele olhou pra mim, como quem pede aprovação.
Eu sorri. Ele sorriu.
Eu perguntei desde quando ele morava ali.
Ele disse que não lembrava não. Lembrava que um dia tava na rua, era moleque ainda, disse que não tinha onde dormir e ia chover. Aí um homem deu a placa pra ele. Ele disse que não sabia muito das coisas não. Que as pessoas ali davam dinheiro para ele. Ele perguntou como desenhava uma casa. Eu disse que era mais difícil do que parecia. Ele achou engraçado. Aí eu falei "quer ver minha casa?". Ele me olhou desconfiado. Eu sorri e tirei a barraca das costas. Ele achou o máximo. Perguntou se eu morava lá mesmo. Eu disse que por enquanto sim, mas que as vezes dormia em pousadas, albergues... o que tivesse, mas que tinha uma casa de verdade, lá na minha cidade, com cama coberta, mamãe e papai. E ele falou:
-Mas então, tá aqui nessa sua casa esquisita por que?
Aí eu contei que aquela vida não era para mim, que eu precisa de aventura, de uma vida mais agitada. Disse que eu gostava de conhecer pessoas e lugares e que sentia uma necessidade meio inexplicável de sair por aí pelo mundo, mesmo que isso significasse ficar um tempinho longe de casa. Ele falou que eu era uma menina boba, me disse que se tivesse uma casa de verdade com cama, não ia sair nunca mais dela. Mas que daquilo, ele não sabia não, não era pra ele. Eu disse que poderia ser, disse que um dia poderia desenhar uma casa pra ele, quem sabe?
Foi aí que os olhos deles brilharam: "Verdade, moça?"
-Claro, jow. Só falta uns anos para eu me formar.
Escorreram lágrimas dos olhos do Jow. Ele disse que sempre quis uma casa de verdade, com cama e lugar de por roupas, podia ser pequena, não tinha problema.
Jow me disse que eu era uma menina boa. Disse que eu era abençoada. Disse que ia esperar ali, sabe? Na casa dele, que ele fez questão de me mostrar três vezes como chegava lá, para eu não esquecer quando fosse levar o desenho da casa para ele.
Eu fui embora dali naquela tarde, depois de ainda conversar muito com o Jow.
Mas dessa vez, eu estava diferente. Sabe, eu amo ir embora, amo mesmo. Acho que a sensação de ir embora é uma das mais maravilhosas, aquela sensação de uma nova aventura. Em toda cidade que eu passava, eu saía com uma vontade maior de ir embora, com mil motivos para querer conhecer outros lugares incríveis, outras pessoas incríveis. Mas essa era a primeira vez que eu ia com a felicidade de saber que um dia eu iria voltar. Ia voltar para a minha casa. Ia voltar para a faculdade. Ia voltar para a minha vida. Eu estava feliz, porque ia voltar a estudar, ia me formar. Ia ser uma arquiteta.
Eu estava feliz, porque tinha mais de mil motivos para ir, mas o Jow tinha me dado um para voltar. Sim, eu precisava voltar, porque precisava levar o desenho de uma casa para o Jow.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015



Às vezes, a gente perde a fé e não vê mais sentido. Às vezes, as pessoas nos decepcionam de tal forma, que a gente acha que o mundo não merece nosso amor e nós vemos um mundo tão absurdo que nem toda a nossa fé suporta a realidade.
Às vezes, as certezas simplesmente desaparecem e eram só elas que nos faziam seguir em frente. Às vezes, as pessoas são tão ruins, que o contato com elas é questionável e as certezas viram todas ilusões.
Só que de repente, meio que por acaso, perdido no tempo e no espaço, aparece um talvez.
E esse talvez muda tudo.
Porque ninguém é totalmente ruim e nada é totalmente mentira.
E se todas essas pequenas partes, todos esses pequenos "talvezes" decidissem se juntar? Talvez, mas só talvez, surgisse algum sentido.
Quando a gente se prende demais nas certezas e elas acabam, a fé vai embora. Mas quando há um talvez, um só, por menor que seja, há esperança! E onde há esperança, há amor.

E foi preciso estar longe, foi preciso estar com gente que eu não sabia que existia, para ver que "talvezes" podem existir quando todas as certezas acabam. Foi preciso trocar a certeza de um sol que ia nascer para um talvez. Foi preciso um mundo onde todos os talvezes possíveis, onde todas as pequenas partes boas se unissem, para que a esperança voltasse.

Sim, foi preciso. Foi preciso tudo isso para saber que nem toda a tristeza do mundo, nem toda a decepção do mundo, seria maior do que o meu amor.

domingo, 8 de novembro de 2015

Coletânea de textos não publicados.

"Para, mundo. Para, por favor.
Para, porque eu preciso ir e não consigo com vocês aí.
Parem, parem de falar.
Não há sentido, não há.
E eu não posso parar de escutar.
Parem, parem com essas horas e com essas regras.
Vocês também não querem seguir, ninguém quer e quem criou não está mais aqui.
Então para, para agora. Já está tarde e eu preciso ir. Mas não dá se vocês continuarem aqui.
Não dá, porque vocês me prendem.
Então parem, por favor.
Parem de me prender.
Porque já está tarde e eu preciso ir".
- Para, 31 de agosto de 2013




"Ela não entendia.
Sentada no chão, numa cidade afastada, no escuro, escutando música.
Ela não entendia.
Ela queria largar a faculdade, os amigos, a família.
Ela queria largar as roupas, a televisão e a agenda.
Ela queria ir embora.
Com a mochila, o All Star e alguns livros. E claro, com o mp3 e o fone.
Ela queria o mundo. Ela queria ver o mundo. Andar sobre o mundo.
Ela queria conhecer pessoas, pessoas que marcassem um lugar visitado e que tivesse uma música que sempre a faria lembrá-las.
Ela queria sentir saudades. Saudades de tempos que não fossem mais voltar.
Mas não saudades de um tempo bom, na expectativa de que houvessem melhores; mas sim de que já estivesse vivendo os melhores.
Mas, mais do que tudo, ela queria ir embora!
Diversas vezes!
Queria chorar por estar sempre indo embora, porque ela amava mudar.
Sabia que ia sentir saudades, sabia que não veria mais aquelas pessoas... mas amava ir. Só ir.

Mas só queria. Porque não ia.
E ela não entendia".
- Só ir, 3 de março de 2013



"Fui formado para o sistema. Fui formado para ser o melhor no sistema. E sempre fui o melhor no sistema. Infelizmente, isso nunca foi o suficiente.
Não foi o suficiente porque eu não fui formado para aceitar o sistema, não fui educado para lutar pelo sistema.
Mas sim para mostrar como ele é falho. Fui criado para ser perfeito e mostrar o quanto essa perfeição é errada.
Porque é fácil para quem está fora do sistema criticá-lo, é fácil porque a maioria é incompetente e acha na crítica uma fuga.
No entanto, quando alguém realmente se destaca, quando alguém realmente mostra que é competente o suficiente para aquilo e a revolta não é simplesmente uma fuga... existe fundamento.
O mundo quer pessoas eficientes. E para isso, criam humanos como máquinas. Um ser humano criado como humano que não chega ao potencial das máquinas, não teria a menor moral de criticá-las. No entanto, um ser humano criado como humano e melhor do que muitas máquinas faz com que as coisas mudem.
E foi por isso que me criaram! Me criaram para ser um humano, criado como um humano, que entrasse no sistema e fosse realmente bom no que eu julgo errado. Me criaram para ser bom o suficiente para depois da vitória conseguir mudar as regras do jogo.
Mas chega um ponto que a cada regra cumprida é uma ferida na alma. Cada ordem aceita é uma facada no espírito revolucionário. E a vitória só faz o peso na consciência ser cada vez maior, afinal, para ser melhor do que as máquinas, muitos humanos devem ser deixados para trás".
- Sistema de almas, 28 de novembro de 2012




sexta-feira, 22 de maio de 2015

Sobre felicidades.



É difícil para mim falar de felicidade. Não sei... só é.
É como se toda minha inspiração viesse de um buraco na alma, como se toda a minha poesia se originasse da dor.
É na escrita que eu encontro a minha maior forma de expressão, é nela que eu consigo gritar ao mundo e a mim mesma tudo o que está em mim, mesmo sem saber exatamente o que estou sentindo.
Mas só a dor.
É como se a minha felicidade não se encontrasse nas minhas palavras. As palavras simplesmente não vêm!
E é uma angústia estranha, uma angústia ao contrário, porque eu quero escrever, mas não consigo. Porque eu vivo da minha necessidade de escrever e de repente eu não sinto mais essa necessidade.
E tudo o que eu escrevo fica ruim. Não me representa. Não me completa.
Porque eu já me sinto completa.
Sobre felicidades, eu peço desculpas, mas não posso escrever ainda. Ainda não a encontrei nas minhas letras.
Talvez eu ainda a encontre e, quem sabe, esse espaço seja um pouco mais feliz.
Peço desculpas, sinceras desculpas, por só trazer aqui minhas angústias.
E peço desculpas pelo meu silêncio, porque sobre esses dias, eu só posso dizer que estou feliz.

domingo, 5 de outubro de 2014

Seu cheiro.



O seu cheiro ficou em mim.
E eu o sinto o tempo todo, em cada momento que se passa.
E olha que o seu cheiro nem é daqueles bons, que marcam. Definitivamente não é. Ele é meio estranho e no começo achei que não gostava muito dele.
Mas agora ele se impregnou em mim, no meu corpo e alma e eu não consigo mais me desprender dele.
O seu cheiro ficou em mim de uma forma estranha, não foi intenso ou inesperado. Foi ficando... ficando... até que ficou.
Não posso dizer que gosto muito dele, que não consigo mais viver sem e tudo mais.
Só sei que ele está aqui, comigo. E está me fazendo bem.
O seu cheiro ficou em mim como nenhum outro. Porque ficou com o tempo. Porque foi virando, sem querer, parte do meu dia a dia, parte de mim.
O seu cheiro ficou em mim... e quer saber? Pode deixar ele comigo. Eu vou cuidar bem dele.

E você... cuida bem de mim também!

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Sentido.


A ausência de sentido não se dá por carência de bons fins. Muito pelo o contrário. Fins ruins podem ser decepcionantes, mas o desenrolar de fatos é que embasam bons julgamentos.
Afinal, para que julgar um ser humano por sua morte se existe uma vida inteira por trás dela?
Talvez a falta de sentido não esteja sobre objetivos vazios, mas por suas buscas mal vividas. Situações mal aproveitadas. Foi-se o tempo de Maquiavel, hoje os meios são tudo, hoje o meio é que faz o fim.
Então, dane-se que estejamos lutando com moinhos de vento, desde que sejam boas lutas! O valor de uma boa história, com toda sua filosofia, diálogos e personagens superam qualquer que seja o motivo para aquilo ser escrito. Viver de fato não precisa ser em prol de uma vida ou motivos grandiosos, não precisamos de prols, precisamos viver.
Passou-se o tempo em que o conhecimento era fundamental para uma boa compreensão da realidade. Vivemos agora num maravilhoso mundo de sentidos e acontecimentos. Acabou a idealização de passos pré determinados e agora a paixão está em dançar como os ventos, uma dança que não serve para ser apreciada, mas para se dançar junto.
Então vamos dançar!
Pensemos na queda, não no chão. Pensemos nas danças, não nos aplausos. Pensemos em viver, não no sentido disso.
Porque, talvez, em passos irregulares encontremos a vida. Talvez, nessas ondas insanas da realidade, nos sentiremos plenos. E na plenitude da alma, na plenitude do ato de viver, haverá sentido!
Afinal, para se ter sentido, precisou-se sentir.

domingo, 20 de julho de 2014

Causos [2]


Ela estava na página 25. O livro era sobre um tema interessantíssimo, mas um um pouco difícil de ler. A primeira linha falava sobre início do raciocínio do criador da teoria. Ela tinha dormido tarde na noite anterior, tinha ficado trabalhando num projeto novo, gostava do método que estava usando, é uma nova forma que acabara de chegar no mercado. Ela tinha tomado dois cafés, o segundo estava melhor do que o primeiro, talvez tivesse sido porque não tinha tanto açúcar. Droga. Ela tinha chegado na página 26, mas não lembrava nada da 25.

Os dois se enrolavam na coberta em completa harmonia. Nada mais estava em volta, nada mais ali existia. A respiração de ambos agiam como uma só, o mesmo ritmo que ninguém e nada podia parar. E naquele momento se amavam. Se amavam como nunca. Como nunca alguém amou, como nunca haviam se amado, pelo menos naquele momento era assim. Se amavam num ritmo constante, enquanto se enrolavam na coberta em completa harmonia.

Ele já havia se acostumado com aquela dor, a dor que ficava do lado esquerdo e não a deixava esquecer. Ele havia chegado num ponto em que aquela dor é que o movia, aquela dor que o fazia lembrar que estava vivo. Só que chegou uma hora que a dor foi tamanha que o lado esquerdo não aguentou e virou cinzas. Sim, cinzas. Aí a dor passou. E ele entendeu. Entendeu que a dor era de algo que estava no coração e como o coração tinha virado cinzas, não existia mais lugar para ela.

O sol morno esquentava sua pele coberta pela blusa de frio e trazia um calor agradável ao seu corpo. Não ventava, não tinha ninguém na rua, estava tudo em silêncio, como se o mundo ainda não estivesse acordado.
Ela agora passava por uma praça, as cores nunca estiveram tão evidentes: o azul do céu, o verde das árvores... Ela estava tão feliz! Feliz ao ponto de não conseguir segurar as lágrimas. Pela primeira vez em muito tempo não sentia dor na alma; pela primeira vez em muito tempo, ela conseguia aproveitar as pequenas belezas da vida.
E ela chorava, chorava numa felicidade que nada no mundo poderia abalar.

p.s. o terceiro causo virou um conto,  leia aqui!

domingo, 20 de abril de 2014

Oração.


Peço para que minha vida siga os ventos; que ela me leve aos mais altos picos e aos mais profundos vales, que seja intensa e inesquecível, sempre me levando aos mais diferentes lugares das mais diferentes formas.
Peço para que todo o amor do mundo entre em sintonia com o meu e que eu não sinta anseio em espalhá-lo pelos caminhos que passo, nem que hesite em agarrar todo aquele que me for oferecido.
Imploro para as desilusões não corromperem a minha alma; que minha essência seja mais forte que todo e qualquer mal que me fizeram e que eu possa sempre fazer bem ao próximo, independente do que façam a mim.
Peço para que passe toda essa angústia que sinto, que seja só uma fase ruim de um tempo ruim; para que todo esse mal me ensine e lembre-me do que passei. Mas que passe, que acabe e que tudo fique bem de novo.
Peço para que essa minha angústia da rotina e essa vontade de ir embora não acabe nunca! Mas que eu consiga ficar em paz, que eu consiga ser feliz ao ficar também.
Peço para que meus caminhos sejam repletos de retidão e de verdade e que, assim, sempre nos encontremos de novo.
Peço que a mais pura energia percorra meu corpo e alma e que possa sempre sentir a presença desse ser superior.
Peço  forças para continuar lutando pelo o que acredito e pelo o que quero ser; que nem toda a tristeza do mundo seja empecilho para tirar meu foco e me fazer desviar dos meus objetivos.
Peço que meus princípios e virtudes sempre me guiem, independente do caminho que esteja percorrendo; que eu nunca os deixe e eu nunca esqueça que são meus maiores pertences.
Mas mais do que tudo, eu agradeço. Agradeço pela oportunidade de viver e de poder querer viver. Agradeço pelo mundo que me cerca, que me permite o conhecer. Agradeço por sempre poder recomeçar, por sempre poder dar um passo diferente.
E, por fim, desejo que essa oração vire a mais pura energia e seja espalhada por todo esse universo maravilhoso. Desejo que todos os seus elementos consigam senti-la para que eu possa senti-los também, sentir suas orações, seus pedidos mais íntimos.
E, assim, que consigamos ser um só. Um só universo, uma só essência. Com paz, amor e gratidão.
Porque sendo parte dele, ele será parte de nós também.
Porque conspirando a favor dele, ele conspirará a nosso favor.
E que fazendo dele um lugar feliz, ele nos faça feliz também.
Que assim seja.

sábado, 12 de abril de 2014

Tempos ruins.


Eu só queria que passasse logo, sabe? Que de repente tudo ficasse bom de novo.
Tá difícil assim. Tá difícil acordar todos os dias dizendo que "este vai ser melhor" e não ser. Tá difícil! Tá difícil manter a esperança. Eu só queria que passasse logo, sabe? Que de repente tudo ficasse bom de novo.
Dói muito, muito mesmo. Me consome, o tempo todo, o tempo todo. Uma dor funda demais e eu não consigo fazer ela passar. Eu não sei como me curar dela, eu nem sei o que ela é direito. Eu só queria que passasse logo, sabe? Que de repente tudo ficasse bom de novo.
Eu tenho saudades de ser feliz. Tenho saudades de querer experimentar coisas novas. Tenho saudades de me jogar em tudo. Saudades de confiar em mim mesma. Saudades de ser forte, de parecer forte e de saber que era forte. Eu tenho saudades demais! Nossa, como eu tenho saudades! Eu só queria que passasse logo, sabe? Que de repente tudo ficasse bom de novo.
Tem alguma coisa errada! Alguma coisa muito errada! Eu não quero mais, não quero! Eu quero que passe, que vá embora! Que não volte nunca mais! Assim tá ficando difícil, assim ta doendo demais! Eu só queria que passasse logo, sabe? Que de repente tudo ficasse bom de novo.
Mas não passa.
Não passa.
Eu cansei.
Cansei demais.
Eu to exausta.
Exausta.

Eu só queria que passasse logo, sabe? Que de repente tudo ficasse bom de novo.

sábado, 8 de março de 2014

Sobre choros.

Eu choro.
Mas choro pela tristeza que não tive, pela pessoa que não fui.
Eu choro por não ter amado quem queria ter amado, choro por não ter sido a amada que ele amou.
Choro pelas pessoas que não conheci, pelos amigos que não tive, pelos diálogos que não existiram.
Eu choro por não ser o que eu queria ser.
Choro por no fim do dia não sentir o que queria ter sentido.
Eu choro por tudo aquilo que não foi meu, por tudo o que não perdi.
Choro por toda essa solidão e pela ausência dela também.
Choro por ainda querer ser alguém, sem nunca ter sido nada.
Choro por ainda pensar numa vida, sendo que nada vivi.
Choro pela ausência de tristezas, pela ausência de motivos para chorar.
Choro porque não existe problema.
Choro por recomeçar sem ter terminado, muito menos começado.

Mas hoje o céu decidiu chorar comigo.
Hoje não choro sozinha, hoje choro com as lágrimas das nuvens.
Hoje choro com um mundo do qual eu não sou digna, não por não o ter vivido, mas por acreditar que não o vivi.
Hoje o céu chora comigo, porque eu o decepcionei.
Mas eu não quero chorar pela decepção do mundo.

Choro por eu ter sido eu.
Choro por tudo o que consegui.
Choro pelas coisas que eu quero.
Choro pelas pessoas que conheço.
Choro pelo o pouco que eu tive.
Choro pelo o que vivi.
Choro por mim.
Choro pelo mundo.
Choro pelo céu, que hoje decidiu chorar comigo.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Consolo.


São cinco oitavas, sem mais. Sempre foi o suficiente, talvez até mais que o suficiente.
Aquela numa oitava acima era difícil, era para momentos em que não se queria pensar, em momentos que só se queria pensar em outra coisa.
Já as primeiras, eram diferentes, eram como uma abraço ou como um "vai ficar tudo bem". Era para quando se precisava de colo.
Mas tinham aquelas rápidas e agitadas, um tanto complicadas também! Ah, essas eram para quando algo não cabia na gente! Nossa, parecia que estávamos gritando aos céus tudo aquilo que queríamos dizer.
E tinham aquelas pesadas, uma oitava abaixo. Doía, cada nota. Mas era porque elas entendiam, elas compreendiam e, assim, nos faziam compreender também! Eram aquelas com quem a gente é sincero, sabe? Aquelas que a gente procura quando entende a situação e está disposto a enfrentar, por mais difícil que seja.
E há outras! E muitas! Aquelas que aprendemos a tanto tempo, que fazem parte de nós! Essas são como diálogos internos, nem percebemos que estão ali; têm aquelas que por um motivo bobo te faz sorrir, só porque você gosta do som! Essas são ótimas, porque (mesmo sabendo de cor) você pega a partitura e lê nota por nota e até repete algumas partes, mesmo sem ter errado, porque é bom! Só por isso!
E elas sempre estão ali! Todas as  oitavas, todas as partituras! As mais usadas, as menos usadas... sempre ali! Todas juntas, em sois e mis, sustenidos e bemóis, claves de sol e claves de fá, numa mistura louca e insana. Sempre ali, sempre lá. Esperando. Esperando qualquer coisa para poderem consolar.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Causos.


Um dia ele acordou e tinha alguma coisa diferente. Pela primeira vez, ele não sentiu aquele peso absurdo nos ombros. E ficou feliz, achando que o mundo havia mudado, sendo que, na verdade, quem havia mudado era ele.

Guarda-chuvas coloridos corriam, era cedo e as gotas caiam incessantes do céu. Eu entrei no ônibus meio seca, meio molhada. E ele estava lá. Aquele rapaz, encolhido num dos bancos. Estava lá com olhares hostis, fixados em todos que entravam, como um predador cuidando das suas crias. Olhava como se fosse a última coisa que fossemos ver. O frio na espinha me persegue até hoje. Nunca, nunca mesmo, vou esquecer daqueles olhos.

Ela tinha quatro opções aquela noite. QUATRO. E ela não escolheu nenhuma delas. Porque a opção que ela queria não estava ali. Por isso, decidiu ficar em casa. Como era uma menina boba!

Eu era criança quando vi aquela escada. As pessoas subiam e desciam, subiam e desciam. Eu não entendia. Não entendia porque as pessoas desciam depois de subir. Não entendia porque não podiam ficar lá em cima. Na verdade, talvez até hoje não entendo.

Sempre no mesmo horário ela corria. Eu a via passar do banco que estava sentada com aquela expressão de angústia. Dia após dia ela passava por lá. Correndo. Como se fosse a última coisa que fosse fazer, como se sua vida dependesse disso. Ela sempre estava lá. Correndo. Com aquela expressão de angústia.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Diálogos internos.

Deixe-o ir. Vamos, deixe logo!
Ele não cabe mais em você e você sabe disso, então por que você insiste em mante-lo aí dentro?
Vamos, você precisa deixa-lo ir logo!
Isso só está machucando mais, só está fazendo doer mais, para com isso e deixe-o ir.
Olha, eu sei que ele se mantém por perto, mas você fica feliz com isso? Não! Não fica, você sabe que não fica. Então deixe-o ir logo. Para que ficar sofrendo por uma causa que você já julga perdida?
Quer dizer, você julga perdida, né? Já passamos dessa fase, você sabe!
Então pronto, é só deixa-lo ir! Sem mais. Porque desse jeito, você só sofre! E você sabe disso!
Então vai lá, seja forte! Como você é e sempre foi, eu sei que você consegue! Sempre conseguiu, vamos lá! Rápido igual tirar band-aid! Vamos! 1, 2, 3 e fim! Aí você vai poder ser feliz de novo, sabe? Daquele jeito que você sempre foi. Vamos, deixe-o ir, vai doer no começo, talvez até doa por um tempo, mas vai passar e você sabe que vai!

Deixo-o ir. Vamos, deixe logo! Ele não cabe mais em você e você sabe disso, então por que você insiste em mante-lo aí dentro?

sábado, 12 de outubro de 2013

Lucy in the Sky with Diamonds.


E nessa vida existem marcas. Marcas de tempos, marcas de lugares, marcas de pessoas, marcas de coisas. Coisas tangíveis e intangíveis. Coisas desse plano, coisas transcendentais. Coisas tocáveis que levamos e outras que deixamos. Coisas que passaram, mas que ficaram na memória.

E enquanto eu estava lá, sendo marcada por tantas coisas, Lucy estava comigo! Sempre comigo. Lucy e eu.
Muitos podem dizer que ela é, literalmente, um peso nas minhas costas. De fato é. Mas quando o peso é parte da gente, fica mas fácil de carregar.
Lucy sempre levou tudo aquilo que era material demais para eu levar na alma. Levou livros, roupas, compras de supermercado, presentes. Levou casacos, comida, computador.
Já foi mala de viagem, mochila de escola, acessório de vestuário e travesseiro. Já dormiu debaixo da minha cabeça para eu poder descansar, entre as pernas para não ser roubada e no armário para não ocupar espaço.
Mas o ponto, é que ela sempre esteve lá!
Lucy e eu, sempre comigo, em todas as minhas viagens.
Meio suja, meio rasgada, meu bonita, mas sempre lá: forte e segura; dando suporte logo ali nas minhas costas.
Lucy e eu pelo mundo! Eu andando e ela repetindo o seu eterno mantra "How to survive".
Lucy e eu, porque ela me mostrou que é o suficiente para levar tudo de material que eu preciso. Porque a Lucy, só a Lucy, a Lucy in the sky with diamonds, é que me ensinou a me desapegar de outras mil coisas para me apegar a ela: levar mil coisas sem Lucy ou poucas coisas na Lucy?
Lucy e eu, Lucy comigo, em todas as minhas viagens: as longas, as curtas, as próximas, as distantes, sozinha, com mais gente.
Lucy e eu. Sempre! Lucy que me marcou. Marcou muito! Porque Lucy e eu temos marcas do tempo, marcas dos lugares, marcas das pessoas, marcas das coisas. Marcas iguais, marcas dos mesmo momentos, das mesma vivências. Porque ela sempre estava lá, Lucy sempre comigo.
Porque Lucy e eu fomos marcadas pela vida, enquanto marcávamos uma a outra.